quarta-feira, 17 de agosto de 2022

SER RUDE OU NÃO



 

[15/08/2022] Márcio Nobbre*

Pensamento por atitudes feitas, e observadas a quem dirigidas, leva a uma grande interrogação; ao levar a vida servindo sempre, prestando um bem enorme ao seu redor, sem macular nem jogar na pedra do mármore a quem se dirige,  e a conveniência necessária para um relacionamento social de bem estar, é classificado como boa pessoa; entretanto a contra   partida vindo com subterfúgio bem educado, com palavras subliminares em que possa ser entendido, talvez na inveja,  ciúmes, ou simplesmente a disputa, claro só de um lado,  volta o pensamento se seria melhor ser rude, grosseiro, mal educado, e nada servir, para ser respeitado, obedecido,  e não contrariado, por medo, ou na força do ódio. Me parece assim, que assim deveria ser, mas, não tenho esse  ins…

*Advogado e Professor


segunda-feira, 8 de agosto de 2022

NOITE ESCURA



Márcio Nobbre*

Como a noite é escura sem estrelas para brilhar, mais escura sem a lua para clarear; uma lamparina com o foco bem pequenino para não queimar a palha da choupana de quarto e sala, com duas portas pra entrar e sair, em uma vejo o dia amanhecer, a outra olho o sol se pôr, e o escuro com certeza vai voltar sem estrelas e o luar.

*Advogado e Professor


TRÊS QUARTOS NA MINHA CASA






Márcio Nobbre*

Minha casa tem 3 quartos, em estilo independentes entre si, 1 é o arrecadador e distribuidor dos haveres, em que todos dependem deste 1, é quem trabalha, indica quase tudo, planeja, administra, e executa atos normativos. O 2, em números grandes de habitantes confirmam projetos do 1, ou em anomalias escusas destroem o de bom administrado, para simples e bom bloco do nós mesmos. Ah! O 3,  nada projeta, nada arrecada, nada elabora, nada indica, a não ser os seus, são poucos sem indicação para apresentá-los, e quando solicitados, não entendem o legal, o norte, muito menos o imparcial, absolutos em interferir em áreas que não lhes pertence, são contrários à tudo que não lhes beneficia, quer administrativamente, legislativamente impondo o  juridicamente inusitado, vejo então minha casa como carrapeta doida como pião rodando em voltas sobre si, parando em lados que nada favorece a união de todos da minha casa. Futurologia deverá mostrar novos rumos na repartição dos cômodos de minha casa, que terá rua, número, e esquinas corretas no quadrado do limite. TRÊS QUARTOS NA MINA CASA...

*Advogado e Professor


POEMAS A ZÉ





Quando entrei teu dedo apontou pra mim,

Vinha a mim naquela direção

Rápido e furtivo nossos olhos se cruzaram,

Não deu mais, parti pra te falar, meu olhar, pegar nas tuas mão, beijar! Mas tudo sem falar,

Ó amor fugar, quantas músicas vou cantar,

[11:20, 06/08/2022] Márcio Nobbre

Minha Zé, destarte, maktub,  deveras estava desenhada na história que me envolveria, pelos idos de 1985, precisamente em fevereiro dia 24, pelos raios da aurora não boreal, mas nordestina, com gotas de chuva, já inebriado com tanto esplendor que me trazia desde o início da tarde quente, que sombra procurava, esquivando-me do sol causticante; Ah dia de júbilo e contentamento. Até aqui 35 fevereiros passaram plenos de tanto gostar, nunca entretanto, grudados 24 horas sem um minuto de ausência, estado de viva satisfação, é de perceber sublime e encantador amor por minha Zé.

[11:20, 06/08/2022] Márcio Nobbre

Meu olhar te viu como diamante, brilho por todos os lados; na essência por ser significativamente culta; no amor por ser integralmente maravilhosa; linda por ser infinitamente um diamante. E teu dedo apontou pra mim,

Vinha a mim naquela direção

Rápido e furtivo nossos olhos se cruzaram,

Não deu mais, parti pra te falar, meu olhar, pegar nas tuas mão, beijar! Mas tudo sem falar,

Ó amor fugar, quantas músicas vou cantar,

 [11:20, 06/08/2022] Márcio Nobbre

Meu olhar te viu como diamante, brilho por todos os lados; na essência por ser significativamente culta; no amor por ser integralmente maravilhosa; linda por ser infinitamente um diamante.

[11:20, 06/08/2022] Márcio Nobbre*

*Advogado e Professor

domingo, 24 de julho de 2022

O OCASO




 

Quando eu acreditava que tudo era você e eu e o sol, 

Que tudo era como quando a lua sai, um lugar ao sol pra gente brincar, 

Que seguíamos a mesma harmonia do sol nascer e do sol se pôr,

 

Da lua aparecer girando em torno de nós e nós em torno do sol 

Quando eu achava que o paraíso baixava aqui no meio de nós, 

Quando andávamos de mãos dadas pelo perfeito mundo, um breve segundo, 


E que nunca haveriam segredos, mistérios para se ser feliz 

E que a felicidade, coisa eterna e forte, seria regra e não sorte.  

Veio o tempo, um ladrão, que abrevia os felizes momentos 

E prolonga os maus, os tormentos, os dias sem alegria 

E as frias e longas e escuras noites que nunca amanhecem.

 

Veio o tempo e desfez os sonhos, os nossos sentimentos 

E espalhou com seus ventos o que lutamos tanto para ajuntar, 

Deixando-nos a dor, a ausência do amor, coisas que enlouquecem.


Helder Morais

 

 

VÔO RASANTE







O meu peito sangra e eu estou

Em vôo rasante e é tão só

Sair de casa em busca de mais

Esvaziar-se para encher-se de dor.



De repente tristeza me embaça a voz

Porque prazer tão sofrido me faz andar

Sendo indigente, pedinte, meu próprio algoz

Por eu ter tanto na vida e não saber usar.

REFLEXÕES




Márcio Antônio Monteiro Nobre* 

[20:22, 22/07/2022] Márcio Nobbre: Você ganha presente, presentes, e presente; mas existe presente que é muito mais, não se explica, ele chega de alguma forma até você, gruda, incorpora, vive você, o presente maior assim defino como o amor de minha Zé.

[20:22, 22/07/2022] Márcio Nobbre: Hoje 11 de maio, uma data lembrada sim por todos, ou quase todos; o que quer dizer, nada, nada, nada, apenas uma data no calendário que todo mundo usa.

[20:22, 22/07/2022] Márcio Nobbre: A dor, dor doida no pé que anda fazendo rastros de busca, peregrinando de porta em porta levando, voltando no mesmo rastro da casa saída.

[20:22, 22/07/2022] Márcio Nobbre: Oi filho, lembro bem o dia que chegou neste nosso mundo; é! Mundo de todos e particularmente o nosso familiar, lembro bem da felicidade contagiante a todos que lá na Santa Fé iam, lembro bem, de quando em casa chegou, lembro da vinharada que tomei contigo nos braços, lembro bem do primeiro quinzenário, o primeiro bolo, lembro bem de tudo então; vou lembrar bem de tudo ainda, e pra frente também, feliz nos faz todo dia, e feliz somos todo dia contigo. Feliz aniversário, um abraço gigante e apertado deste pai chorão a cada palavra que de digo.

[20:22, 22/07/2022] Márcio Nobbre: Quando o Céu muda de cor, sua vida também muda de tom, não há a cor que possa decifrar que seja no azul, cinza, ou o turvo do Céu; na vida não se sabe qual comparar, alegria, melancolia, ou tristeza, há uma simbiose sim entre o Céu e você, não há que contestar. Aceitar e viver feliz.

[20:22, 22/07/2022] Márcio Nobbre: O mundo precisa virar, não pelo avesso, porque ele não tá errado, mas virar no social que tá errado, quando o errado tá certo, e o certo tá errado; vamos ser bom, e não mal, vamos ser certo, e não errado; vamos doar, e não só querer; vamos estender a mão, e não apertar o gatilho.

terça-feira, 19 de julho de 2022

NOVO EMPREENDEDORISMO



Márcio Antônio Monteiro Nobre*

As situações por muitas vezes nos são mostradas, e não observamos de fato o que é visto. Estava  a esperar minha Zé que havia entrado em uma livraria e papelaria no centro de Teresina-PI, e de dentro do carro passei a observar o entorno; vi ali sentada  na beira da calçada/batente da loja, logo bem na entrada,  duas crianças entre três e cinco anos de idade, que brincavam na calçada sempre por perto da Mãe, que pedia ajuda às pessoas que por ali passavam, pois ouvi várias vezes os pedidos de diversas formas, para comprar comida, um quilo de arroz, ajudar aos filhos, etc..., olhando sempre em volta, atento também para minha segurança, percebi que na porta de um Banco em frente, havia uma criança vendendo tabletes de bombons; nada errado ali, pensei! Será que tá estudando, passou rápido esse pensamento; voltei a observar a cena anterior da Mãe pedinte, com aspecto bom, à primeira vista sem apresentar qualquer tipo de doença visível. Logo mais à frente vi outra mulher bem mais jovem com uma criança ainda de colo, percebendo que também pedia, só não conseguia ouvir diante da distância que estava; no momento não fiz correlação alguma. O tempo passando e vi que a segunda pedinte veio ao encontro da que estava na frente da loja e alguma coisa disse que não pude ouvir, seguindo em frente,  a outra levantou-se pegando  as crianças e saíram dali, no mesmo instante a criança que vendia bombons na calçada em frente, também se levantou e foi ao encontro das outras duas mulheres; passei então a fazer conjecturas, e a unir os pontos observados chegando à conclusão que ali havia uma empresa bem estruturada, com admirável dose de empreendedorismo  ultra moderno. Um detalhe que mais me chamou a atenção, foi quando um cliente da loja ao sair –     ouvi bem isso – a pedinte empreendedora lhe estendeu a mão pedindo algum valor para comprar arroz, tendo a pessoa dito que não tinha no momento, surpresa pra mim, e talvez para aquela que estava sendo interpelado com o pedido, quando a empresária/pedinte disse: se quiser pode mandar que tenho pix. Ali constatei haver uma empresa, e o milagre do PIX a toda prova.

*Advogado e Professsor

terça-feira, 12 de julho de 2022

SAUDADE



Márcio Antônio Monteiro Nobre*

Há saudade de amor,

Saudade do lugar

Saudade do amigo,

Saudade de beijar

 

Há saudade dos meus pais,

Saudade dos irmãos

Saudade dos amigos,

Saudade dos que não tão mais

 

Saudade melancolia,

Saudade das alegrias

Saudade que o tempo levou,

Saudade que não volta mais

 

Há saudade doída,

Saudade de montão

Saudade piquititinha,

Saudade, saudade bom ou não? 

*Advogado e Professor

sexta-feira, 8 de julho de 2022

SONHO




Marcelo D'Alencourt*

Caminho pelas ruas desde cedo com balinhas pra vender. Não tenho a menor ideia de quando saí de casa hoje. Quatro ou cinco da manhã? Por aí. Trem lotado. Consigo entrar com o uniforme de um menino que estuda numa escola pública aqui perto. Deve ser legal, né? Nunca fui. Morro de curiosidade. Dizem que é importante. Acho que ainda não tenho idade. Oito anos já é hora? Bem, deixa isso pra lá. Continuo caminhando e oferecendo os doces. De vez em quando alguém compra e pergunta se estou estudando. Sempre minto respondendo que sim. Isso aumenta os trocados. Será que é pecado? Todo dia é a mesma coisa. Salto às 7h na Central e peregrino pelo Centro, Catete, Flamengo, Copacabana...Teve um dia que virei a madrugada e andei até a tal da Barra. Altos e maneiros prédios. Só bacana por lá. Deve ser legal ser assim, né? Roupa nova, bom perfume, carrões e meninas pra namorar. Procuro não pensar. Dói muito no peito. Sigo em frente e foco nas vendas. Preciso fazer cinquentinha por dia, senão nem em casa entro. É bom porque às vezes economizo energia dormindo na rua mesmo. A crise está terrível. Ganhava mais. Hoje apertou muito. Até que chega Jorjão. Um cara mal encarado que me dá logo um soco no ouvido. Isso zune horrores. Me acalmo e me restabeleço. Quando dou conta já estou sem a grana. Ele joga minha caixa de balas no chão, pisa e ainda diz que é legal porque não as levará. Que ódio. Minha vontade era trazer o oitão que tenho escondido e detonar esse fdp. Por enquanto, não. Mas no futuro com certeza! O desânimo misturado ao suor e cansaço me tomam por completo. Sento na calçada quente. O sol está de matar. 50 graus na sombra. Pqp! Desculpem o palavrão. Feio. Vamos adelante! Ouvi isso de um argentino uma vez. Bonito, né?!? Ando treinando. Queria mesmo era falar o tal do "english". Chego lá! Sigo em frente. Paro num sinal, finjo que manco e defendo uns trocados. Pouco, mas já é algo. Fico muito triste porque ninguém me vê. Tanto os que dão quanto os que não molham a minha mão. Tudo igual. Peço uma água no bar. O garçom a entrega quente e diz pra eu vazar senão o segurança me mata. E é pra não voltar mais! Deus, onde você está? Dizem que você é tão bom. Me ajuda! Paro pro almoço. Um pão com manteiga passado que uma alma caridosa me deu quando saí daquela espelunca. Continuo depois a minha jornada sem saber ao certo onde estou e pra onde vou. Perdido e sem rumo. Dizem que é bom. Não importa. Já anoitece. Pergunto a um rapaz que lugar é aquele e ele rosna "Leblon!". Só e segue adiante. Simpático. A maioria sequer me olha. A fome aperta. Paro pra ver um treino de futebol na praia. Como gosto e faço bem aquilo quando dá. Uniforme, bola, técnico, rede e até juiz! Chique! Fico ali observando e me vem uma enorme felicidade misturada ao cansaço. Meto a mão no bolso e tiro duas balas que sobraram do ataque. Eu as devoro rapidamente. Meu jantar! Não devia fazer isso porque com elas faço o dinheiro pra poder voltar pra casa e dormir um pouco. Isso quando consigo. Odeio ver aquele bêbado batendo e maltratando minha mãe com aquelas crianças todas berrando ao mesmo tempo. Arghhhh! Que inferno.

CURIOSIDADE






Márcio Antônio Monteiro Nobre*

A porta do quarto de dormir se fechou, lá dentro duas criaturas ávidas de puro amor, afetivo e carnal. Só a imaginação dos daqui de fora, apenas em pensamentos e conjecturas imaginavam as cenas de volúpias que aconteceriam naquela alcova limpa e perfumada; nada se ouvia, nem sons de qualquer sintonia demonstrando ali haver rumores de amor, expectativa aumentava naqueles que fora a curiosidade que fervilhava, e a impaciência que crescia sem notícia alguma do quadrado de amor ali próximo. Era dia de casamento, e a lua de mel deveras enlouquecida para ato tão sublime, consagrando a união do casal do ambiente preparado para recebê-los. Horas passando, deixando todos àqueles que queriam a todo custo entender o que ali se desenvolvia, surpresos viram o vento que se avizinhou em abrir a porta que não estava travada, mostrando cena de surpresa para todos, que deitados com as roupas ainda do casamento em sono profundo, pois a bebida os deixou nesse estado de deixar pra depois.

*Márcio é Advogado e Professor

quinta-feira, 7 de julho de 2022

PERSISTÊNCIA





Marcio Antônio Monteiro Nobre*

Estudar é uma questão de querer, e ter objetivo para alcançar o que pretende. Existem facilidades para uns que agarram a chance com muito afinco, se superam e galgam brilhante sucesso; também há os que encontram muita dificuldade para estudar, mas com força de vontade encontram maneiras, lugares, ajuda, material emprestado e chegam lá, com saber, conhecimento e muita alegria por terem conseguido. A dificuldade é um desafio pra quem quer. Tive aluna com tão grande dificuldade diante dos recursos que dispunha, mas nunca desistiu, seu curso era EAD, portanto, completamente necessário equipamento para estudar, apesar de livros físicos, o computador é essencial para aprimorar e acompanhar aulas, trabalhos, e acessar biblioteca digital, assim com todas essas dificuldades, chegou ao final com sucesso no curso, recebendo seu diploma, e hoje desenvolvendo seu trabalho para o qual muito estudou, tendo até que, por falta de uma boa internet, pois não podia pagar, e residindo longe da cidade, tinha que subir em um pé de manga no quintal de sua casa, para conseguir um melhor sinal da internet, pois não podia pagar um bom sinal , e assim nunca desistiu e conseguiu seu objetivo. Lembro ainda que ao iniciar os estudos era acanhado talvez por sua situação social, sem qualquer incentivo para estudar, nos fez relatos com lágrimas nos olhos; antes porém de encerrar o período, já se destacava como uma das melhores da turma, em diante já trabalhava, lhe restando ao final do curso o emprego solidificando, com a responsabilidade no cargo maior que podia obter. Ao receber o diploma o levantou de punho cerrado, com os olhos como se enxergasse Deus, bradou seu feito de Vitória.

*Advogado e Professor


sábado, 2 de julho de 2022

RIO É...




Márcio Antônio Monteiro Nobre

O Rio é;
Lindo, Belo, deslumbrante
O Rio é;
Sem igual, arretado de bom,
O Rio é;
Leblon, Leme, Copacabana e arpoador,
O Rio é
De festa, praias,  calçadão,
O Rio é;
Pão de açucar, redentor, Colombo em primeiro lugar, 
O Rio é;
De poetas, futebol, carnaval,
O Rio é;
Da Lagoa, da baixada, Maracanã escultural, 
O Rio é;
O samba, mulata, cultura, a geografia, amor e paz.
 As vezes nos encantamos por alguma coisa, eu pelo Rio

*Márcio é advogado e professor


sexta-feira, 1 de julho de 2022

A SUCESSÃO



A. J. de O. Monteiro

            Durante o período de isolamento causado pela pandemia do COVID-19, a comunicação entre eu e meu velho de grande amigo Mago Manu tem se dado por via telepática, quero dizer ele, pois não domino a técnica – recebo, mas não envio. Quando o contato exige resposta, uso o velho e arcaico – segundo ele, celular. Neste último final de semana, logo cedo, o “zunido” característico pôs meu cérebro em alerta e a ordem foi peremptória: “venha a minha casa”!

            Com a pressa que meios humanos me permitem fui ter com o grande Guru. Seria o primeiro encontro presencial em dois anos. Claro que fiquei ansioso e preocupado.

            Sempre que convocado, ao chegar, já encontrava o Mago a me esperar no “alpendre”, cercado pelos pássaros livres que ele alimenta fartamente com rações apropriadas para cada espécie que frequenta diariamente o jardim da casa: rolinhas, bem-te-vis, canários da terra e, ultimamente, até uma pipira, espécie que rareia no meio urbano. Desta vez fui conduzido ao seu escritório onde passa a maior parte do dia e o encontrei entre os seus preciosos livros de filosofia, ciências políticas, histórias da humanidade e outros de temas diversificados.  No escritório há um armário fechado a chave, da qual não desgruda e ao qual não permite o acesso a ninguém, nem a mim que ele diz ser a pessoa em quem mais confia. No móvel, diz, encontram-se os registros dos dois mil anos de sua estirpe; as fórmulas de cura que usa e os segredos da Bengala de Bambu Vietnamita, que é, em síntese, a fonte de seus poderes sobre-humanos.

            O Mago que vi, ali, sentado à escrivaninha e com quem estivera antes das restrições impostas pela pandemia, em nada lembra aquele de então. Achei-o bastante debilitado, gesticulando lentamente e com voz quase inaudível. Quanta diferença do ágil – quase serelepe – Mago que desafiava quaisquer dificuldades e enfrentava outros quaisquer perigos que se lhe apresentassem, com a força de sua mente e a magia de sua poderosa Bengala. Ao pressentir minha presença, com o queixo indicou uma cadeira e falou com firmeza: Sente-se! Obedeci e antes que tivesse totalmente acomodado falou: